A Câmara Municipal de Bayeux realizou nesta terça-feira (25) uma sessão especial em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. A iniciativa, proposta pela vereadora Elóah Felinto, reuniu autoridades e convidadas que destacaram a importância do enfrentamento ao racismo e da valorização da história e cultura do povo negro.
Compuseram a mesa o presidente da Câmara, vereador Adriano Martins, a vereadora Elóah Felinto, o vereador Nildo da Casa Branca, responsável por secretariar os trabalhos, além da vereadora de João Pessoa, Jailma Carvalho, da servidora pública do Tribunal de Justiça da Paraíba, Ana Carolina, e da assistente social Andreza Ribeiro.
A abertura da sessão contou com a apresentação do grupo de Maracatu Raio de Sonhos, que trouxe ao plenário elementos da tradição e resistência da cultura afro-brasileira.
Durante sua fala, o presidente Adriano Martins ressaltou que a data vai além de celebrações. “Hoje estamos aqui apenas comemorando, isso é um ato de simbolismo, mas na verdade a gente sabe que pessoas foram escravizadas, pessoas morreram, milhares e milhares de pessoas sofreram a escravidão, e a gente sabe que não foi algo fácil”, afirmou.
Autora da propositura, a vereadora Eloah Felinto destacou a necessidade de dar visibilidade ao tema. “Meu papel aqui hoje é dar notoriedade a essa pauta tão importante. O meu local de fala é único e exclusivo de uma mulher que tem seus privilégios, uma mulher branca que vive num país escravocrata, um país construído por homens e mulheres negras, um país que escraviza até hoje de forma muito sutil, mas de uma forma muito violenta. Essa solicitação de sessão especial é simplesmente para dar notoriedade a quem merece”, declarou.
A assistente social Andreza Ribeiro reforçou a importância da representatividade. “É uma honra estar aqui para trazer minha fala e honrar essa noite, mas é, sobretudo, afirmar quem somos, ocupar espaços com orgulho, valorizar nossos saberes, nossas estéticas e a pluralidade que compõe o povo negro brasileiro”, afirmou.
A servidora pública Ana Carolina também destacou o peso simbólico de ocupar espaços institucionais. “Enquanto mulher negra, ocupar esse espaço de fala por si só já é um símbolo de resistência e de valorização. O racismo existe e persiste na nossa sociedade, nas suas mais variadas formas, como fruto de uma estrutura social alicerçada no crime mais horrendo que tivemos, que foi a escravidão”, disse.
Já a vereadora de João Pessoa, Jailma Carvalho, relembrou o legado negativo deixado pelo período escravocrata. “Conseguimos vencer uma etapa, a escravidão, mas o Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão. Ela deixou marcas profundas, o preconceito, a discriminação, o racismo, você ser avaliado ou criminalizado por sua cor”, ressaltou.
A sessão reforçou o compromisso da Câmara de Bayeux com o debate sobre igualdade racial e a valorização da população negra, destacando a necessidade de ações contínuas para combater o racismo estrutural no país.

